quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Esperando

K

Começou como um sentimento,
Que então cresceu e se tornou uma esperança,
Que se tornou então um pensamento silencioso,
Que se tornou então uma palavra silenciosa,
E então essa palavra cresceu mais e mais ruidosamente,
Até se tornar um grito de guerra.
E tudo virou lágrimas
Eu voltarei quando você me chamar,
Não há porquê se despedir.
Continuo a sua espera....

Regina Spektor

Regina Spektor nasceu no seio de uma família judaica durante a última década do regime soviético e, por conta disso, sua carreira de musicista sofreu alguns reveses; o piano em que treinara durante toda a infância teve de ser deixado para trás durante a Perestroika - a abertura econômica da União Soviética que permitiu a emigração dos cidadãos. Ela tinha apenas nove anos quando se estabeleceu com a família no bairro do Bronx, em Nova Iorque. Foi no porão da sinagoga local que encontrou um antigo piano e retomou seus estudos já influenciados pelo rock, pelo hip-hop e pelo punk.
Na adolescência, Spektor já era uma das alunas veteranas da Escola de Música de Manhattan e via suas atenções musicais divididas entre a formação clássica e os sons contemporâneos ao redor. Por conta disso, cedo acabara por juntar intuitivamente as duas influências em suas composições. Mas, até então, sua música eram apenas esboços, uma distração e complemento da escola; Regina Spektor só cogitou levá-las à sério durante uma viagem à Israel, quando outros jovens lhe disseram o quanto haviam sido tocados pelas composições; refletiu. Aos dezessete anos começou a transpor seus escritos contundentes para arranjos em voz e piano.
Talvez uma tendência à precocidade somada às experiências incomuns que vivera com tão pouca idade expliquem um pouco para que as letras compostas por Regina Spektor tenham um peso tanto incoincidente com seus 28 anos. Uma delas, em especial, costuma chamar a atenção por deixar muito claro todo impressionante nível de maturidade poética, humana e mesmo linguística de Regina Spektor. Chemo Limo, de seu segundo álbum "Sovietic Kitsch" (2004) - nome retirado do livro A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera - trás como mote central a história de uma mulher, mãe de quatro filhos, que descobre ter câncer e precisa se submeter a sessões de quimioterapia. Uma mulher especial, de reflexões pragmáticas em relação a vida que agora, pela doença, percebe o mundo através de novas sensibilidades. Sente medo, raiva e saudade ao sabor de delírios. Sente que as coisas que possui podem ser apossadas de uma nova forma: ela é rica para poder alugar uma limousine, mas anseia pilotar uma que leve outros para passear; ela está a beira da morte, mas a quimioterapia - aparentemente inútil - lhe tiraria o estilo da passagem.
Há em "Chimo-Limo" tantas metáforas, pistas, des-pistas, sarcasmos e imagens que ao total da narrativa psicológica da letra, faz surgir sobre ela diversos palpites sobre quais seriam os fatos reais sobre a vida daquela mulher. Tudo piorado pela dicção dúbia de certas frases já que ela se utiliza de cacófatos para dar versões diferentes da história. Também, por vezes, o que está sendo cantado não é o que consta no CD-book. A intriga é embalada por um arranjo que une um monotom lento ao experimentalismo improvável numa interpretação passional de Regina Spektor que nos deixa só em arrepios.
K, esses dois vídeos são para você... Cris, não sei se você conhece, mas acho que você vai gostar !
11:11 (2001)

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Songs (2002)

Soviet Kitsch(2004)

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Mary Ann Meets The Gravediggers And Other Short Stories (2006)


Begin to Hope (2006)

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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

TV On The Radio - Todos os discos !

O rock’n’roll não é, nem nunca foi, música branca, mesmo que nos tentem convencer do contrário. Quando muito, algumas das suas manifestações podem ser tentativas de brancos a fazer música de negros, que dão, inevitavelmente, maus resultados que acabam por funcionar bem. Foi assim no rock britânico, quando Mick Jagger e Keith Richards descobriram um ou dois discos de blues e fizeram a sua versão bastarda daquilo e voltou a ser assim no pós-punk quando John Lydon adicionou reggae e world music aos discos dos Yes que já não era foleiro ter, o que reflecia tremendamente o teor ecléctico daquela altura.Os TV On The Radio são quatro negros e um branco, e é no branco que se centra quase tudo. Na capa da Urb de Julho, David Andrew Sitek está de fato e gravata ao lado de Just Blaze e Dabrye. São, segundo a revista, os produtores mais importantes da atualidade, e é bem capaz de ser verdade. Dos beats devedores da soul e do funk de Just Blaze para quase toda a gente, de Jay-Z a Kanye West, de Foxy Brown a The Game às batidas frias e alienadas de Dabrye para a coqueluche do hip-hop indie faz todo o sentido. O que não faz sentido é, entre estes dois, um tipo do rock. Ou fará?David Andrew Sitek é, acima de tudo, um produtor magnífico. É ele a razão pela qual os Yeah Yeah Yeahs soam tão bem (isso e terem um ótimo guitarrista e um ótimo baterista), e é ele a cola que segura os TV On The Radio. No princípio, era só ele e Tunde Adebimpe, senhor de uma voz incrível e uma pinta que não lhe fica nada atrás. Negro, diz-se que ao vivo é que se pode comprovar o talento imenso do homem. Tornou-se mais ou menos um clichê dizer que é uma das melhores vozes do indie rock da atualidade.Mas serão os TV On The Radio indie rock? Na Inglaterra, qualquer banda com um riff que soe vagamente angular é classificada como “indie”, e qualquer banda que ache que a britpop não acabou nos anos 90 também. Nos Estados Unidos, qualquer banda que tenha os discos certos, especialmente os da década de 90, é indie. Basta, para isso, aparecer na banda sonora do OC. Já para não falar nos milhares de revivalismos cíclicos das mais variadas faces do pós-punk. Mas os TV On The Radio vão buscar as suas influências a um tempo muito anterior a qualquer uma destas revoluções. Vão buscar tudo à soul, ao gospel, aos blues, a décadas e décadas de música negra, e injectam-lhes, acima de tudo, uma atitude punk e pós-punk e a tecnologia de agora.De Young Liars até Return to Cookie Mountain, muito mudou.
New Health Rock (2004)

Young Liars (2003)

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Ok Calculator (2002)

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Read Silence (2009)

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Return to Cookie Mountain (2006)


Dear Science (2008)

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Desesperate Youth, Blood Thirsty Babes (2004)

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domingo, 4 de outubro de 2009

Alice in Chains - Black Gives Way To Blue (2009)

Minha banda preferida dos anos 90. Esse disco, junto com o Junius destoa um pouco do que ando postando aqui. São mais pesados. Meu gosto é bem variado, gosto de boa música.
Este é o novo álbum de estúdio de Alice in Chains, que foi lançado no dia 29 de setembro, mais de 13 anos após Tripod. Black Gives Way To Blue é uma grata surpresa, uma âncora segura para um barco que, há anos, estava à deriva.
As comparações são e sempre serão inveitáveis. Mas William DuVall, que entrou na banda em 2006, sabe disso. Nesse período, novos shows e preparação para o novo desafio. Expectativas superadas. Layne Staley sempre será Layne Staley. Mas ele morreu e o Alice in Chains, ao contrário do que muitos imaginaram, e até desejaram, não.
Alice in Chains tem algo que poucas bandas conseguiram: identidade. Já nos primeiros acordes de A Looking In View, que já tem vídeo oficial, ou Check My Brain (essa música tem um som hipnótico), uma certeza é universal: isso é Alice in Chains.
Com a guitarra forte e imponente, Jerry Cantrell nos presenteia o clima melancólico e sombrio que só Alice in Chains poderia proporcionar. Mas, ele sozinho seria Jerry Cantrell solo. Nesse aspecto, William DuVall caiu como uma luva para a banda. Com o timbre semelhante, mas sem a rouquidão de Staley, DuVall completa o ambiente que não seria o mesmo sem essas duas vozes juntas.
Num primeiro momento, o baixo de Mike Inez não parece tão criativo quanto em Jar of Flies, mas acredito que isso muda com a audição das músicas em equipamente de maior qualidade. E Sean Kinney permanece eficiente na bateria.
Ao final do álbum, a música Black Gives Way To Blue homenageia o falecido vocalista que cantou e sofreu por 15 anos a frente do Alice in Chains. Black Gives Way To Blue, o álbum, é a nostalgia ampla, completa, que nos faz lembrar do Alice Chains com Staley, mas também nos avisa que a banda permanece viva e continua fazendo um som de muita qualidade.



Junius - The Martyrdom of a Catastrophist (2009)

Quase sempre os Estados Unidos me surpreende com bandas de qualidade , visto por exemplo os todo poderosos Agalloch e Neurosis e Isis (atendendo a calorosos pedidos ;p) . E eis que em 2006 eu conheço outra pérola oriunda dos EUA, o Junius. Desde a primeira audição do Blood is Bright (primeiro full-lenght da banda) eu fiquei impressionado com tamanha qualidade encontrada nesse cd.Desde então sempre acompanho o trabalho da banda, e quando fiquei sabendo do novo lançamento, The Martrydom of a Catastrophist, sempre que era possível dava uma garimpada na internet atrás do mesmo. E agora que achei, venho dividir com todos os nossos amigos do blog, mais uma obra de arte composta por estes rapazes, que com toda certeza ganhou um lugarzinho especial nos melhores de 2009.Classificar a banda dentro de um gênero é uma tarefa muito difícil, visto que a banda aderiu várias caracteristicas de outros estilos e moldou tudo dando origem a uma sonoridade única e própria. É notável a influência fortissíma do post-punk do Joy Division e do The Cure, e do post-rock mais épico de bandas como Explosions in the Sky e Godspeed You! Black Emperor e até mesmo do progressive-rock de um Oceansize ou dredg.Desde então a banda é vista pela crítica especializada como um dos grandes nomes do rock/metal atual, capaz de inovar sem soar clichê e cansativo, e alvo de criticas super positivas, como por exemplo a da revista Disclosure Magazine que declarou sobre a banda: "one of the most engaging Dark Rock albums to come out since Joy Division last graced a stage."The Martrydom of a Catastrophist é um álbum conceitual, inspirado na vida e nas teorias do polêmico/controverso escritor russo, Immanuel Velikovsky. Citações reais a partir de entrevistas e palestras são intercaladas entre as músicas, dando um sentido de narrativa para o processo. O álbum foi gravado por Kevin Mills e Syrowski Tom (Weezer, AFI) e masterizado por Dave Collins (Danny Elfman, Black Sabbath).Como eu disse ali em cima, definir o que os ouvintes irão encontrar aqui é uma tarefa complicada, então o melhor a ser feito é cada um tirar suas próprias conclusões. Mas já adianto que as chances de arrependimento beira os 0%. Registro essencial na coleção de qualquer pessoa.


sábado, 3 de outubro de 2009

Separações

Antes que me perguntem, isso não é pessoal. É apenas uma situação que acontece conosco ao longo do tempo. Acontece a todos... quem nunca perdeu aquela pessoa que te deixava com falta de ar, apenas ao vê-la? O texto fala sobre isso.
A vida muda em um telefonema, num encontro na rua, numa palavra mal colocada. E aquela pessoa que você falava tudo, vai pouco a pouco escapando da sua rotina. De repente, a gente não se liga mais, perde quase tudo que havia em comum, perde a rota. Pior é quando acontece o reencontro, e não há nada para se falar. Aquele espirito que esteve colado em você, por quatro, cinco, seis anos, vai se diluindo na sua frente. E um tal de buscar culpados e culpas, dizer que não era tão bom assim... era sim ! Era o máximo.
Talvez essas conversas surjam para atenuar a dor da perda. Não ter noticias é complicado. Não contar as novidades diminuem as importâncias dela. Tudo fica sem graça.
Claro que outras pessoas virão para os dois, e que aqueles momentos novos serão curtidos. Até que naquele dia, toca aquela música, vem aquele cheiro, passa-se por aquele lugar que era dos dois. E aí as dores voltam. E uma lágrima acaba escapando, apesar do barco seguir, da viagem continuar, aquele porto que ficou para trás causa uma saudade imensa. E tenha certeza, essa dorzinha é para sempre. Misto de fracasso, lamúria, frustração, buracos no sentimento da alma. Tomara que a gente volte mesmo em outra vida, em outro patamar, em um outro momento. Nem que demore uma eternidade, há coisas que precisam ser repetidas, quem sabe corrigidas. A vida de hoje vai seguir. Ninguém precisa de ninguém para viver. No entanto, quando se perde algumas pessoas, vive-se pior. Eu estou em um desses momentos de desemparo, buraco no peito, de vazio. Não posso julgar nada, não devo cobrar o outro lado. A não ser por um detalhe... será que não dava para me avisar que era a última vez? teria feito uma grande festa, seria uma noite especial. Sei que é besteira comemorar o fim, pelo menos não ficaria no ar de quando foi o último grande momento. Porque essas coisas aparecem do nada, de surpresa como eu já disse. Como aquele primeiro encontro. Só que do primeiro encontro você realmente não esquece e do último você não consegue lembrar, já que no seu coração ainda a existe a teimosia de que segue tudo era como antes.