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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Gorillaz - Plastic Beach (2010)

Sinceramente? Damon Albarn e Jamie Hewlett podem ser considerados como dois dos maiores gênios dessa era. Não que alimentar uma banda virtual seja novidade, até por que desde os anos 60, bandas fictícias eram formadas por personagens de desenhos, mas acredito que tenha sido com o Gorillaz que o conceito de “brincar” com essa forma de entretenimento, tenha alcançado seu status mais elevado.
Apesar de Plastic Beach, terceiro álbum do Gorillaz (exclua por favor os remixes e b-sides da vida) não beber dessa mesma fonte de genialidade, ele está longe de passar desapercebido e pode, sim, conter algumas das músicas que estarão entre as mais ouvidas em seu iTunes. E olha que o disco só esquenta após sua segunda metade…
Isso mesmo. Entre as 10 primeiras músicas – de um total de 18 – somente Stylo (a primeira música de trabalho, que conta com Mos Def e Bruce Willis no clipe) é digna de referência. Mas tão certo quanto isso pode parecer contraditório, é o fato de, à partir de On Melancholy Hill, Plastic Beach soar um álbum indispensável. E há quem diga que já se trata de um dos maiores do ano. E se eu questionasse isso, não estaria escrevendo esse artigo, mesmo que tardiamente.

Plastic Beach, faíxa título e que tem a participação mais que especial de Mick Jones, é outra que traz vida nova ao estilo do grupo. Cloud of Unknowing e Pirate Jet são de beleza ímpar, e Three Hearts, Seven Seas, Twelve Moons, faixa bônus da edição de luxo, fecha o álbum de forma majestosa.
E as influências hip hop, eletrônica e dub que fizeram do Gorillaz uma banda declaradamente pertencente ao gênero trip rock estão lá, mas a essência do projeto mudou um pouco e este é um album que pode ser classificado como conceitual. À princípio, até parece difícil de ouvir, mas depois, soa como único e sensacional.
Se você já o ouviu e torceu o nariz (ou a orelha), recomendo que dê uma nova chance a esse duo. Se ainda não o fez, recomendo que corra para esse mundo de texturas sonoras, referências de estilos e imagens que fazem do Gorillaz a banda virtual mais legal que já existiu. 




domingo, 26 de setembro de 2010

Menomena - Mines (2010)

Menomena (pronuncia-se minoumei) é uma banda de rock experimental oriunda de Portland, Oregon, formada pelos multi-instrumentistas Justin Harris, Brent Knopf e Danny Seim. Os três participam dos vocais e frequentemente trocam de instrumentos durante as performances.
O álbum em questão é o 4º na tragetória dos caras, sucessor de Friend and Foe (Barsuk Records) -- que considero uma das melhores bolachas indie de 2007. 




Mines demonstra um refinamento sutil na música do Menomena, embora isso não signifique uma evolução de fato. Ele não chega a ser tão audacioso quanto Under an Hour (FILMguerrero, 2006) e suas três faixas de 17 minutos, nem tão instigante quanto o Friend and Foe, mas ostenta a mesma sonoridade densa, marcada por loops instrumentais, atuação competentíssima das guitarras, bateria e teclados, além do sax barítono de Justin Harris dando um toque especial às melodias sempre intrincadas, incomuns, irresistíveis.


Assim como os outros álbuns da banda, Mines foi produzido, gravado e mixado pelos músicos com o auxílio do Deeler (Digital Looping Recorder), um programa de computador desenvolvido por Knopf na linguagem Max. Seim explica como é o processo de composição com o Deeler: "Primeiro, nós definimos o tempo de marcação, que é tocado nos headphones. Então nos revesamos pela sala com um único microfone. Um de nós segura o microfone em frente a um instrumento, enquanto outro toca de improviso um riff curto dentro do tempo marcado. Normalmente, começamos pela bateria. Depois que os tambores estão em loop, pegamos o baixo, piano, guitarra, sinos, sax ou qualquer outra coisa na sala que possa fazer algum barulho. O Deeler nos permite manter o processo democrático".
Os grandes destaques do álbum são as faixas TAOS, BOTE, Tithe e Five Little Rooms, embora as demais músicas mantenham o nível lá no alto, de forma que não há um ponto baixo em Mines. Um belo disco C !





quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Shugo Tokumaru - L.S.T (2005)

Apelidado de "o Sufjan Stevens japonês", esse jovem prodígio de Tóquio faz um som experimental baseado no lo-fi, misturando violões e outros instrumentos mais exóticos em arranjos intrincados e profundos, como poemas sonoros. E apesar das comparações ao músico de Michigan, Shugo Tukomaru demonstra ir muito mais fundo em seu próprio mundo musical -- brincando com os sons de uma forma mais ousada e tendo idéias muito mais inventivas que o próprio Sufjan.

L.S.T. (Active Suspension, 2005) -- oficialmente o segundo disco do músico -- é uma viagem acústica através de um mundo formado por camadas e texturas de cordas, pianos, sinos, apitos e xilofones. Um álbum cheio de melodias sofisticadas e ritmos ora lineares, ora dinâmicos. Uma obra de muito bom gosto, altamente recomendada para apreciadores de música folk, lo-fi e experimental.