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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Deportivo

é uma banda de rock formada em Bois-d'Arcy ( subúrbio de Paris); é composta por Jerôme Coudane (guitarra e vocais), Richard Magnac (baixo) e Julien Bonnet (bateria). O nome da banda vem do espanhol "Deportivo" (uma referência a times de futebol possivelmente). O trio compões principalmente suas canções na lingua francesa. Déportivo é comparado com bandas muito famosas na França, como Noir Dèsir e Luke. Nasceu em 98, com o nome de "Tremblement Mental". Em 2002 lança o demo produzido de forma independente o "Game Over"; lançaram o primeiro álbum, "Parmi eux", em maio de 2004 que vendeu cerca de 60.000 exemplares. O segundo, intitulado "Deportivo" (sem acento) saiu em Outubro de 2007. Rock agitado e enérgico que vale a pena a ser ouvido. O segundo posto depois.
Parmi Eux (2004) download

segunda-feira, 16 de março de 2009

Carla Bruni, Comme si de rien n'était (2008)


Foi depois de abandonar as passarelas que Carla Bruni, italiana radicada na França, mais se viu nas bocas do mundo: primeiro, ao mostrar uma insuspeita veia lírica e musical com o primeiro álbum, o muito bem sucedido Quelqu'un m'a dit; mais tarde ao desposar o presidente francês Nicolas Sarkozy e trocar o estatuto de mulher livre e desimpedida, adepta da bigamia, pelo de primeira-dama francesa, e admiradora de Jacqueline Kennedy.Comme si de rien n'était já é seu terceiro álbum, e não há razão para continuarmos a duvidar: Carla Bruni canta não porque precise de formas adicionais de chamar a atenção para si, mas porque a música — invariavelmente serena, diríamos mesmo imperturbável — lhe vai na alma. O título, em português "Como se nada fosse", é um espelho dessa postura descontraída, quase glacial, que só mesmo as letras (com alusões às drogas em "Tu es ma came" ou aos antigos 30 amantes da cantora em "Je suis une enfant") poderiam quebrar. Mas não quebram.De regresso à língua francesa, depois da pouco celebrada incursão pelo inglês no anterior No promises, Carla Bruni aposta forte no folk, no bluegrass e no vaudeville, escolhendo para cada música as mais frugais das vestimentas: piano na airosa "Ma jeunesse" e na atmosférica "La possibilite d'une île"; flautas estivais na viciante "Ta tienne"; guitarra acústica em "L'amoureuse", perfeita cançoneta de verão, ou na falsa canção de ninar "Salut marin" (uma dedicatória, em tom de despedida, ao irmão Virginio, falecido em 2006 vítima da Aids).Mais evidente na controversa "Tu es ma came", mas palpável em todo o álbum, é uma certa abordagem blues, como se Carla Bruni não pretendesse desistir, para já, da música americana a que deu a mão no segundo álbum (a única música em inglês é, desta vez, uma versão despida de "You belong to me", gravada por gente como Bob Dylan ou Patsy Cline).Cálida e correta, a voz de Carla Bruni transporta o disco por águas seguras. Música bon chic, bon genre, sim, mas com alma lá dentro. A primeira-dama francesa serve, em bandeja de prata, canções folk para a coleção outono-inverno. Très chic!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Music Hole - Camille (2008)


Com o que fez no álbum Le Fil, seu segundo disco solo, Camille Dalmais chamou tanto a atenção de crítica e público do mundinho da música alternativa que, não é exagero afirmar, alavancou para si o posto de maior sensação da música francesa nos últimos anos. Por esse motivo, o seu álbum subsequente vinha sendo aguardado ansiosamente pelos fãs que não sabiam o que esperar da francesa depois do experimentalismo pop de Le Fil. Com o lançamento de Music Hole nesta segunda-feira a curiosidade foi saciada: no seu novo projeto, Camille dá continuidade à exploração da musicalidade desenvolvida no disco anterior, que esquadrinhou, com temperança, as possibilidades da voz humana como instrumento melódico. Na canção "Cats and Dogs", Camille mostra isso de forma deliciosa, povoando a segunda metade da faixa, até então constituída apenas de um piano de acordes doces e uma "tuba vocal", com um almanaque de vozes que mimetizam festivamente toda uma variedade de grunhidos, gritos e urros do mundo animal: pássaros, porcos, elefantes, macacos, cabras, sem esquecer, claro, dos personagens que são a tônica da música - cães e gatos. Mas, além de retomar a pesquisa musical produzida até Le Fil, a cantora e compositora francesa adiciona ao seu repertório experimental a percussão corporal, um novo elemento melódico que incrementa ainda mais a experimentação desenvolvida por ela em suas composições. A utilização deste novo elemento na construção das melodias pode ser conferida em toda sua glória na faixa "Canards Sauvages": para emular um samba frenético, Camille contou com a ajuda de participantes do grupo brasileiro Barbatuques, que tamborilaram no próprio corpo para produzir a sonoridade percussiva acelerada que faz a base da melodia, composta ainda de ruídos de água nervosamente agitada e de múltiplas camadas da voz de Camille - capaz até de simular uma impagável cuíca vocal.E já que estamos falando de voz - e como não falar disso, quando tratamos de Camille? -, vamos falar de uma consequência sua: a língua. Ao contrário dos discos anteriores, Music Hole privilegia o inglês. Porém, as letras contam sempre com algumas boas rajadas da língua pátria da cantora quando a idéia é imprimir uma fluidez ao ritmo - algo fácil de notar no vocal de suporte que introduz a faixa de abertura "Gospel With No Lord", cheia da já conhecida vitalidade sonora da francesa, que joga jovialidade na música com boas doses de estalar de dedos, palmas e, na sequência final, um piano discreto e uma percussão seca encorpando a melodia.No entanto, quem conhece Camille sabe que a garota não sabe fazer só festa: sua capacidade de emocionar com composições tristes é também algo notável. Neste caráter, destacam-se a faixa "Winter’s Child" - que explora vocais melancólicos em trama algo arábica, sustentada na base por um vocal grave a la Le Fil, e no primeiro plano por uma combinação de versos em inglês e francês, com os quais a cantora abusa da sensibilidade espetacular de sua voz - e as baladas "Waves" - com um piano de acordes esparsamente dramáticos acompanhado por um arranjo vocal encantador que simula em sua rítmica a ondulação oceânica - e "Home Is Where It Hurts" - que é introduzida com um conjunto cativante de acordes de piano e baixo beat-box, que logo ganha a companhia de uma programação com cadência densa e vocais de apoio envolventes.Ao invés de mudar de curso sem respeitar a coerência do que já produziu, tentando reinventar a si própria, em Music Hole, Camille mostra porque é considerada uma das artistas mais importantes da música pop contemporênea mundial ao, de modo perspicaz, dar um passo a frente com prudência, brincando com o seu vibrante vanguardismo pop ao mesmo tempo que cuida não ultrapassar os limites que estabeleceu para tornar seu trabalho sempre deliciosamente acessível. Deste modo, Music Hole é, ao mesmo tempo, um disco arrojado e simples, cujas texturas melódicas soam inovadoras sem nunca perder a sensatez e bom gosto - um bálsamo pop para ouvidos cansados das agressões deselegantes que, infelizmente, são comuns à muito do que é feito no gênero atualmente.