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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Otto - Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos (2009) e toda discografia

Desde que saiu do Mundo Livre S/A, Otto passeou entre elogios e críticas negativas a sua proposta musical na mesma proporção. Sempre achei interessante o seu trabalho, apesar de considerar que em alguns momentos há certos deslizes, mas nada que comprometa muito. Sem lançar nenhum disco de inéditas desde “Sem Gravidade” de 2003, que já mostrava diferenças em relação aos álbuns anteriores, o pernambucano volta à tona.
“Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos” é o seu quarto disco de inéditas e sexto no total. Lançado somente no exterior por enquanto, vem angariando boas resenhas de jornais como o Boston Globe e o New York Times. O nome do disco extraído da primeira frase do clássico de Franz Kafka, “A Metamorfose”, representa muito do que se ouve nos 40 minutos, pois vemos uma transformação da sua música, ainda que esta seja sutil e não tão drástica como a imaginada por Kafka.
Com um certo desgosto por gravadoras, Otto resolveu construir o seu novo disco todo baseado na amizade. A banda é composta por Fernando Catatau do Cidadão Instigado na guitarra, além de Dengue e Pupillo da Nação Zumbi respectivamente no baixo e bateria. Pupillo também ajudou na produção e a gravação foi feita no estúdio Totem de propriedade de Fernando Catatau e Kalil Aiala. A capa ficou por conta do artista pernambucano Tunga.
Nas 10 faixas temos a participação especial de Céu, Lirinha (Cordel do Fogo Encantado) e da mexicana vencedora do Grammy, Julieta Venegas. “Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos” é um disco mais orgânico, com maior influência do rock e da mpb, mais melódico, mas sem deixar de lado a eletrônica e a mistura de ritmos que Otto sempre promoveu. Sem dúvida é o trabalho mais acessível da discografia do artista até aqui.
Todas as faixas descem redondas, sendo que a parceria com Céu em “O Leite”, a visceral “Crua”, a poderosa “6 Minutos” com uma interpretação forte de Otto e de Fernando Catatau na guitarra, além da releitura de “Naquela Mesa” do repertório de Nelson Gonçalves, merecem um maior destaque. No seu novo disco, Otto acerta em cheio e com simplicidade e na base da amizade cria o seu melhor registro até agora. Ótimo disco.

Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos (2009)


E resolvi colocar os outros também.

Gravidade (2003)


Condom Black (2001)




Samba pra Burro (1999)


Faltam apenas o changez Tout (2001) e


segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Cibelle

Quando você ouve Cibelle pela primeira vez em algum momento se pergunta: Não é a Bebel Gilberto? Fica meio intrigado até se dar conta de que realmente não é. Elas têm o timbre de voz parecido, já cantaram eletrobossa, moram fora do Brasil, foram produzidas pelo Suba, mas é só, elas não têm mais nada em comum. Em The Shine Of Dried Electric Leaves, Cibelle consegue escapar dos rótulos e comparações, e apresenta algo realmente novo numa bem elaborada fusão de estilos musicais.
Nascida em São Paulo e radicada há algum tempo em Londres, a cantora, compositora e instrumentista já está na estrada há algum tempo, e tem entre seus triunfos um disco solo anterior, a participação no épico São Paulo Confessions , do falecido produtor Suba, e de ter as músicas Só Sei Viver no Samba e Dia de Iemanjá incluídas, respectivamente, nas trilhas do filme O Jardineiro Fiel e da série A Sete Palmos (Six Feet Under). Ela também participou da gravação de Ela é Carioca , ao lado de Celso Fonseca, da novela América.
O segredo de Cibelle foi ter se cercado de um timaço de parceiros, como Apollo Nove, Arto Lindsay, Lanny Gordin e Mike Lindsay, entre outros. Para quem gosta de rótulos, classificaria The Shine Of Dried Electric Leaves como de MPB psicodélica, com direito a guitarras ardidas, climas etéreos, forte tempero de bossa nova e eletrônica aqui e ali. Tudo costurado pela belíssima e suave voz de Cibelle, com influências de Marisa Monte, Gal Costa, Sade e outras, mas esbanjando personalidade. Mesmo sendo um CD extremamente coeso e propício para ser ouvido de ponta a ponta, não resisto e cito a hipnótica Green Grass , a psicodélica e reflexiva Phoenix , o sacudido dueto com Seu Jorge em Arrête Lá Menina , a misteriosa e envolvente Mad Man Song e a releitura bossa nova de London London , de Caetano Veloso, em dueto com Arto Lindsay. Consegue imaginar ecos de Jefferson Airplane, Marisa Monte, Caetano Veloso, Tom Jobim, Sade e Beth Orton em um único trabalho sem soar um pastiche? Eis a façanha de Cibelle.


Cibelle (2003)



The Shine Of Dried Electric (2006)





segunda-feira, 16 de março de 2009

Tim Maia (1970) e Elis Regina - em pleno verão (1970)

tim maia [1970] e elis regina - em pleno verão [1970]
pode parecer estranho ao freqüentador deste blog dois álbuns de artistas diferentes em um post só, mas isso tem uma razão: os dois lps – que eu baixei durante a leitura de vale tudo, o som e a fúria de tim maia, biografia do rei do soul brasileiro escrita por seu amigo nelson motta – podem ser considerados os marcos iniciais da carreira do músico, os primeiros trabalhos de grande projeção que abriram as portas do mercado brasileiro para o tijucano.uma busca rápida no google mostra que há controvérsias. um link diz que o sucesso de seu primeiro lp chamou atenção de elis regina, que o convidou para um dueto em seu novo disco. outro, diz que o sucesso do dueto foi tamanho que finalmente tim conseguiu uma gravadora que o bancasse. segundo o livro, a coisa foi meio simultânea. tim maia já tinha sido contratado pela philips, mas como ainda era um ilustre desconhecido, ficou na geladeira algum tempo, gravando o disco aos poucos, quando dava. em outro estúdio, ele tinha gravado um compacto com as faixas "jurema" de um lado e "primavera" do outro, e esta segunda estourou nas rádios enquanto a novela da gravação do lp pela philips se arrastava. nelson motta, que produzia o disco de elis, ouviu o hit e, maravilhado, procurou o dono daquela voz em busca de uma canção para elis. a escolhida, "these are the songs", foi gravada em um dueto que mais parecia um duelo, em que cada artista se empenhava em mostrar ao outro quem era o melhor, e a tabelinha perfeita foi aclamadíssima! era o empurrão que faltava para mandarem acelerar a gravação do lp de tim, que estourou nas paradas de sucesso, com grandes hits como "coroné antônio bento", "azul da cor do mar" e "cristina". o resto é história! sobre o álbum de elis regina, basta dar uma olhada na lista das faixas pra ver que a sensacional "these are the songs" está muitíssimo bem acompanhada! em busca de uma única música acabei baixando um lp inteiro da melhor qualidade.divirtam-se:

tim maia, 1970

1) coroné antônio bento
2) cristina
3) jurema
4) padre cícero
5) flamengo
6) você fingiu
7) eu amo você
8) primavera [vai chuva]
9) risos
10) azul da cor do mar
11) cristina nº 2
12) tributo à booker pittman

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elis regina - em pleno verão, 1970

1) vou deitar e rolar (quaquaraquaquá)
2) bicho do mato
3) verão vermelho
4) até aí morreu neves
5) frevo
6) as curvas da estrada de santos
7) fechado pra balanço
8) não tenha medo
9) these are the songs
10) comunicação
11) copacabana velha de guerra

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