terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Here We Go Magic - Pigeons (2010)

Formada como uma banda de um homem só pelo multi-instrumentista Luke Temple(que lançou seu primeiro lp em 2009), agora a formação do HERE WE GO MAGIC conta mais quatro integrantes que mantém a qualidade sonora do grupo num álbum que sabe mesclar muito bem o pop e climas psicodélicos.




JJ - nº 3 (2010)

Com a aprovação da minha paixão, vou postar esta banda. Já faz algum tempo que não aparecem por aqui bandas suecas(já comentei algumas vezes como é interessante o cenário indie/pop do país mais conhecido como pátria do quarteto ABBA). Para suprir essa lacuna hoje surge o segundo álbum da enigmática dupla JJ, com o singelo título de nº 3. Quando o primeiro Lp deles surgiu no ano passado(intitulado JJ nº2) logo os sites e blogs começaram a rasgar elogios ao som que combinava uma mistura de twee-pop e eletrônica para criar canções que soam, muitas vezes, como frias e inacessíveis por fugirem do lugar comum da maioria das bandas atuais. Na verdade muitos dos que gostam de sonoridades mais grudentas correm sério risco de deixar passar esse interessante álbum. Escute Voi Parlate, Io Gioco.





domingo, 23 de janeiro de 2011

Get Well Soon - Vexations (2010)

Caso eu fosse preguiçoso e não gostasse de escrever sobre música, eu diria concisamente e rapidamente aqui: Get Well Soon é o Ramona Falls de 2010. As similaridades de tal fato viriam nas constatações que são bandas de um homem só e bastante ecléticas em suas sonoridades. O Ramona Falls era Brett Knopf, no GWS é o alemão Konstantin Gropper. Outra constatação: são projetos sem muito apoio da mídia (mesmo em tempos com tantos blogs pela internet), poucos textos a respeito e que tendem a se transformar em discos do ano – mesmo com um desconhecimento covarde.
Gropper não é marinheiro de primeira viagem. Já fez trilha sonora para filmes de Win Wenders, e isso já é uma bagagem de respeito e tanto. É ou não é? Também não é apenas isso. Quem, em tempos de tanta banda aparecendo a cada segundo, numa época onde discos curtos tornam-se fundamentais, ainda consegue fazer um disco de 14 músicas (e praticamente 60 minutos) ser instigante e valer até o último acorde? A resposta está aqui, e chama-se ‘Vexations’.

Eu sou uma pessoa que gosta de decifrar enigmas, e chamaria esse álbum de um caleidoscópio montado a partir de várias bandas (e não é exagero). ‘5 Steps/7 Words’ tem um quê da melhor fase do Beirut com sopros em demasia, ‘That Love’ e ‘A Burial At Sea’ remetem a algo da melancolia dos Tindersticks (claro, sem a voz do crooner Stuart Staples, e sim com a voz também imponente de Konstantin), e tudo bem se você pensar até em Radiohead na antítese calma/explosão de ‘Aureate!’. ‘Nausea’ brinca com o ouvinte fazendo ele pensar que a música seja de algum disco do The Divine Comedy.
Violinos se mesclam a canções ricas de arranjos (sem perder o charme pop-rock do passado) e trazem petardos como ‘Werner Herzog Get Shot’. Os refrões são pegajosos, sem caírem na ingenuidade, e vem carregados de emoção e com belos coros (para gritar e se cantar junto), tome por exemplo ‘We Are Free’ e ‘We Are Ghosts’. Candidatas a hits do ano aparecem, comprove ouvindo ‘Seneca’s Silence’ e ‘Angry Young Man’.
Um disco onde citar uma preferida entre 14 jóias é uma missão ingrata e impossível. E confesso, há muito tempo (muito mesmo) que não me chateio por ouvir um disco tão extenso, não faço questão de perder uma hora de minha vida. Perder? Na verdade, ganhei. Em forma de um sorriso na cara, agradeço sempre por aparecimento de músicos como Konstantin Gropper.



quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Arcade Fire - Suburbs (2010)

Passei este fim de semana ouvindo (e pensando na minha futura namorada !) The suburbs, o terceiro disco do Arcade Fire.
Desconfio que seja um álbum poderosíssimo para meninos e meninas melancólicos. Perigoso, até (como O apanhador no campo de centeio é, sim, um perigo, estive lá!). Eu, que já estou noutra (e hoje sou um adulto quase seguro de mim mesmo, quase saudável, pronto para ter um filho e mudar o mundo), o admiro como uma obra sobre um período, sobre uma fase da vida, um disco que consegue se aproximar dos sentimentos de quem cresce trancafiado em quadras silenciosas (no caso mais específico do disco, em subúrbios confortáveis, organizados e medonhos).
Os personagens têm tudo e não têm nada, têm tudo e ainda não sabem o que querem, têm todo o silêncio do mundo à disposição. E não se movem (apesar do desejo intenso, quase louco, por movimento, por ruptura, por uma vida diferente). “Nós costumávamos esperar por um tempo que nunca chegou”, resume Win Butler, nosso narrador-protagonista, amargo e desiludido e olhando para o teto.
No álbum de estreia do Arcade Fire, Funeral, de 2004, a morte acendia e apagava as luzes da vizinhança – era a ameaça que varria o cotidiano, e ela estava lá. Neon bible, de 2007, era uma viagem a um mundo de pesadelos (e de goth rock oitentista, meio maçante e tedioso). Menos surreal, The suburbs soa como uma continuação dos temas de Funeral, mas com uma diferença cruel: em Funeral, a tristeza era provocada pela perda de pessoas queridas. Em The suburbs, o desespero aparece com a dificuldade de seguir com a vida, de escolher um futuro, de pegar as chaves do carro e sair.
“Quando as primeiras bombas caíram, nós já estávamos entediados”, explica Butler, na faixa-título (que praticamente resume o universo do disco). E continua: “Os meninos querem ser durões. Mas nos sonhos estamos ainda gritando.” E continua: “Todos os muros que eles construíram nos anos 70 finalmente caíram. Eles não significaram absolutamente nada.”
E (que pancada!) é só o começo de um álbum que vai à estratosfera sem sair do quarto.
Butler é dos nossos: acompanha os personagens com a autoridade de quem viveu sensações parecidas (e quem não viveu?). Desde a primeira música, estamos com ele. Não há movimentos em falso. Desta vez, o Arcade Fire nos ganha por uma questão de cumplicidade. A banda está do nosso lado (está no nosso mundo) mesmo antes de decidirmos se queremos ou não acompanhá-la. Butler canta para a própria geração, para os meninos e meninas da América (e do Canadá, e da minha quadra silenciosa). Canta para uma multidão que provavelmente retribuirá em estádios lotados e com olhos cheios de lágrima.
É esse tipo de disco.
E o que ainda me impressiona (e já ouvi o álbum mais de uma dezena de vezes) é como esse laço que a banda cria com o público acaba por anular quase todas as fraquezas do disco. E (como não?) há fraquezas. É um álbum excessivamente longo, para começo de conversa. Que deixa a impressão de que três ou quatro faixas poderiam ter virado lados B de singles. É um álbum musicalmente conservador – que, no máximo, arrisca alguma combinação de Bruce Springsteen com Brian Eno e David Bowie fase Low (e quem fez isso recentemente? Quem? Quem? Cold-o-quê?). É uma dessas óperas-rock que não vão longe demais.
(Aliás, é curioso que Butler tenha falado nos “muros dos anos 70″, já que este disco inteiro parece criado com tijolinhos do rock dos anos 70, do punk de Month of may ao prog de Suburban wars ao soft rock de Modern man ao stadium rock de City with no children e ao clima new-wave de Mountains beyond mountains, que é quase uma versão lo-fi de Heart of glass).
Mas, é claro, é um disco que quer conquistar o mundo. E, hoje em dia, quantos discos querem conquistar o mundo? Não que isso seja mérito (e revistas como a Rolling Stone vão tentar convencê-los de que é sim um mérito). Eu mesmo prefiro os discos que não querem conquistar o mundo (ou que desprezam essa ambição muito ultrapassada, tão mid-eighties). The suburbs é Joshua Tree, é Born to run, é Use your illusion, é (sim, engulam) Viva la vida e é todos esses álbuns-monumentos family-size, grandes demais para nossos mundinhos. Estátuas de pedra, entertainment, quase autoparódia.
O fator-estranheza, no caso de The suburbs, é que esse porte épico parece contradizer um discurso introspectivo. Os hinos do Arcade Fire são frágeis e tristes, são hinos para consumo individual, hinos em cápsulas, hinos dos solitários. Mas, antes que eu cometa um erro muito feio (e eu já ia cometendo), devo notar que essa aparente contradição acaba se convertendo em força. Já que as melodias parecem ecoar os sentimentos gigantescos de personagens pequenos. The suburbs é, se prestarmos atenção, o som dos desejos que não se concretizam.
Um disco planejado para soar mundano (a faixa de abertura, por exemplo, é até contida para os padrões da banda; idem para Deep blue e Wasted hours) e espetacular. Talvez um salto maior do que as pernas, mas um salto. Talvez não funcione totalmente, mas eles tentaram.
Mas – como eu disse e repito – nenhuma dessas questões conceituais soa mais decisiva do que a forma como o discurso do Arcade Fire se infiltra em nossas vidas, em nossas lembranças, em nossas aflições. Não existe conclusão em The suburbs porque nossas vidas também são imprecisas. E, se o disco parece se movimentar em círculos (com trechos de melodias e de versos que se repetem), é que estamos sempre retornando às nossas casas, aos nossos antigos problemas, aos nossos sonhos mortos, às nossas frustrações e à nossa adolescência.
É que, de vez em quando, ainda nos pegamos deitados na cama olhando para o teto e decepcionados e melancólicos e sem ter para onde ir e o silêncio lá fora. Mesmo adultos. Não é simples como parece.
Mas pensar em você, me devolve a vitalidade e me faz lembrar de que eu e o mundo, ainda tenhamos jeito.




segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

The Mission - Resurrection (1999)


Originária de um racha dos Sisters of Mercy, a banda The Mission teve sem dúvida um início pra lá de tumultuoso. Com a saída de Gary Marx, o guitarrista e co-fundador do Sisters, que após deixar o grupo, saiu alfinetando os ex-colegas . Seguiram-se os desentendimentos entre Wayne Hussey e Eldritch, culminando finalmente com a dissolução dos Sisters.
A princípio Craig Adam e Wayne Hussey tentaram, sem sucesso algum, conseguir contrato com alguma gravadora. Finalmente, depois de muito procurar, decidem apelar para a magia do antigo nome e se auto-denominam “The Sisterhood”  Fazem sua primeira apresentação em um clube de Londres chamado Alice In Wonderland, tocando as músicas “Wastland”, “Serpent’s Kiss” e “Severina”, canções compostas quando a dupla ainda fazia parte do Sisters.
Passaram a se chamar simplesmente “Mission”.
No final de 1985,  a dupla Wayne Hussey e Craig Adam criou o Mission, também chamado de Mission UK (o acréscimo no nome se deveu ao fato de existir uma banda americana de R&B também chamada Mission).


domingo, 9 de janeiro de 2011

Oceansize - Frames (2007)

Desculpe a demora. Eu estava de férias e o ano só esta começando para mim agora. Um ano que promete muitas novidades. Será um ano de crescimento e do meu grande amadurecimento. Que todos nós tenhamos um grande ano ! Mas vamos falar de música...

Em síntese, é uma banda britânica de rock progressivo formada em 1998, atualmente composta por Mike Vennart (guitarra e vocal), Steve Durose (guitarra e vocal), Gambler (guitarra e teclado), Steve Hodson (baixo e teclado) e Mark Heron (bateria). O estilo deles é algo entre o Post-Rock e o Prog-Rock, com vestígios de metal.

Mas essa banda é bem mais do que isso. Em três palavras, defino Oceansize como: técnica, complexidade e sentimento. Técnica, porque cada frase, cada trecho é executado com extrema precisão, demonstrando habilidade e harmonia fora do comum. Complexidade, porque suas composições estão repletas de pequenas nuances, variações de andamento e de tons, momentos suaves seguidos de explosões de guitarras e distorções, formando um som que se renova a cada audição. Sentimento, porque suas melodias despertam um turbilhão de sensações: indo de melancolia e paz, à euforia e fúria.

Frames (2007) é o último disco deles, e uma das melhores obras do gênero. É um trabalho maduro e de muito bom gosto. Enfim, imperdível.