Gigas de MP3 soltos, enchendo pastas e diretórios virtuais. Algum deles até formam discos, têm capas e seus autores são conhecidos por mais de 100 mil pessoas. Mas a vasta paisagem sonora de músicas produzidas em 2008 é composta por dezenas de milhares de artistas anônimos que não são conhecidos por mais que dez mil ouvintes - e a tendência é que isso se agrave e, em pouco tempo, estaremos, todos os seis bilhões de pessoas do mundo, fazendo música para dois ou três gatos pingados ouvirem. Isso é ruim? Não para mim - não é exagero pensar que mais música foi produzida na primeira década do século 21 do que em todo século 20 e não vejo como isso pode ser ruim. Existe, sim, outro problema com essa maçaroca de músicas mendigando três ou quatro megas de espaço no seu HD - a falta de ambição, de aspiração à grandiosidade, de disposição rumo a algo que vá ficar na história sem precisar, necessariamente, reinventar a roda ou criar um gênero tipo melancia-pendurada-no-pescoço-rock. A brusca mudança que aconteceu com o Department of Eagles pode dar um rumo para esse pop oba-oba dos anos 00. O projeto paralelo do carinha do Grizzly Bear (Daniel Rossen) era um laboratório de colagens de beats e samples quando foi criado, há cinco anos. Mas depois de tanto tempo marinando à espera, Rossen e seu compadre Fred Nicolaus transformaram o DoE em outra história. Em In Ear Park, sai o experimentalismo DIY eletrônico e em seu lugar entra a precisão para compor canções que pertencem a um cânone do século passado - quando a música feita para adolescentes começou a aspirar a eternidade. Estou falando de um material de composição que une autores como os Wings de Paul McCartney, Brian Wilson, Burt Bacharach, John Lennon, Randy Newman, Todd Rundgren, Harry Nilsson, Arnaldo Baptista, Alex Chilton, Andy Patridge, Steely Dan, Roxy Music, Joni Mitchell, Scott Walker, Raspberries e Traffic. Sim, músicas escritas ao piano, quase sempre cantando a infância e a inocência (o disco é dedicado ao pai de Rossen, que morreu no ano passado), que se alongam para além dos três minutos de duração e ultrapassam a estrutura estrofe-refrão-estrofe, sem cair no experimentalismo porraloca, em busca de uma narrativa (tanto lírica quanto musical) que equivalha a de um livro. Em alguns momentos (”Waves of Rye”, “Teenagers”, “Phantom Other”) o volume das guitarras aumenta para além do clima setentão, alinhando a dupla com o Mercury Rev e o Flaming Lips da virada do século, mas por quase todo In Ear Park o clima - cheio de violões dedilhados, banjos, teclados, cordas e percussão de orquestra (são tocadas ou sampleadas? Realmente não sei) e muito, muito piano - é bucólico e introspectivo, mesmo quando soa épico e se leva muito a sério. É, de longe, a melhor coisa que Rossen já fez na vida.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Iron & Wine
“Iron & wine” é o nome com que se auto-intitulou este “one man show”, chamado Sam Bean, um estudante de cinema da universidade da Florida que costumava escrever canções nas horas vagas. Tendo sido publicado em uma revista que circulava em Seattle, Mr. bean acabou caindo nas mãos do dono de nada mais nada menos do que a gravadora fetiche SUBPOP, e assim se deu a guinada de um dos músicos mais interessantes que tenho ouvido nos últimos tempos.
Para mim uma das melhores coisas que aconteceu na área do folk-rock nos últimos tempos, desde Simon & Garfunkel. Parece exagero? Óbvio! Mas não sou eu o primeiro a dizer tal coisa (descobri na internet hoje).
Eu não sei bem o que acontece. O nome logo me despertou interesse. “Iron & wine” parece de cara o nome de algo meio cult. Iron (as cordas de aço de uma guitarra) & wine (uma boa garrafa de vinho) podem parecer uma boa companhia para uma tarde chuvosa, com os amigos, sem nada para fazer…
O primeiro disco de “Iron & Wine”, intitulado “The Creek Drank the Cradle”, foi composto, gravado em todos os instrumentos e produzido em casa pelo próprio Sam Bean. Dizem por aí que só se pode sentir o “verdadeiro” espírito deste disco ouvindo o vinil, onde as tosqueiras da gravação “caseira” afloram com todas as nuances. Como é muito provável que nunca vamos conseguir realizar tal façanha, vamos pular direto para “The Shepherds Dog”, seu CD de 2007.
Obra prima! “The Shepherds Dog” é obra prima! Não dá para reclamar de nenhuma faixa desse disco! Não parece copiado de ninguém! Não dá para dizer que nenhuma faixa é menos interessante do que outra!
Tudo é planejado: as melodias não são triviais, os instrumentos são cuidadosamente sobrepostos, mas o resultado é um apanhado de canções de caráter folk-acústicos, que te faz ficar pensando: Como ninguém fez isso ainda?
Ficou curioso sobre as influências de “Iron & Wine”? Taí: Belle & Sebastian, Neil Young, Simon & Garfunkel, J. J. Cale, Led Zeppelin (naquelas baladinhas country-folk que o Led gravou) e Creedence e Cat Stevens. Mas acho que o diferencial é que tudo isso está mesclado com suavidade. Baixar é de graça, mas é obrigação ter essas discos.
The Creek Drank the Cradle (2002)
Our Endless Numbered Days (2004)
The Shepherd's Dog (2007)
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Rachel Yamagata
Primeiro de tudo, ouçam a música red and purple do post anterior. É sensacional. Ainda mais essa versão que achei. Pois bem, o pessoal que acompanha meu blog, percebeu que eu não sigo apenas um tipo de música. Gosto de vários. Querendo ou não, o que acabo postando aqui é de gosto pessoal. A idéia sempre foi repartir o pouquissimo que conheço, para a galera que está afim de ouvir algo que não toca muito por aqui. E um grande exemplo disto, é Rachel Yamagata. Terceiro, Cris... espero que goste também... Estou para postar isto a meses e esqueço.
A proliferação de artistas musicais e o consequente acréscimo na edição de discos leva a que muitos só nos cheguem à mão bastante tempo após o seu lançamento. Esta pequena nota introdutória serve para explicar porque razão escrevo sobre o disco de estreia de Rachel Yamagata, Happenstance, cinco anos após a sua edição.
Happenstance, que sucedeu a um EP homónimo editado em 2003, é uma obra que não deixa ninguém indiferente, o talento de Rachel Yamagata como singer/songwriter é admirável, a forma como adapta o seu registo vocal, de acordo com o sentimento subjacente à canção, é tocante, a sensibilidade revelada na forma lúcida como aborda temas complexos é irrefutável e tem como consequência um disco que se entranha à primeira audição.
Se o amor e suas implicações é o tema recorrente deste disco, a contradição entre a convicção de que o amor é muitas vezes uma circunstância fruto do acaso e a crença de que tudo acontece por uma razão é a sua alma, o fio condutor, enquanto que a composição, as letras, a voz e a sua sensualidade que dela extravasa, são o corpo, o resultado é uma descrição pungente do resultado desse conflito.
São exemplo disso temas como "Be Your Love", "Worn Me Down", "Letter Read", "Collide", "Under My Skin", "1963", "Meet Me By The Water", "I’ll Find A Way" e, principalmente, "Paper Doll", nas quais a fusão de elementos clássicos e inovadores, dá lugar a canções verdadeiramente intemporais. Sem muito mais blá blá... Eis que em 2008, quatro anos separam Happenstance, o disco de estréia de Rachel Yamagata, de seu mais novo lançamento, o álbum Elephants…Teeth Sinking Into Heart. E não há como não chegar à conclusão de que o tempo fez muito bem à artista: enquanto no primeiro a garota criou algumas boas faixas com enorme potencial de hits instantâneos, mas que não conseguiam ir mais fundo do que isto, neste seu segundo álbum Rachel traz à tona canções cuja sofisticação melódica, sabe-se, foi fruto de um amadurecimento que só se atinge com tempo suficiente para refletir e polir melhor aquilo que é gestado. Sem muitas delongas, senão o post fica longo.... O disco é bom, e merece o aporte de uma gravadora como a Warner. Os vídeos que vou postar, são do primeiro disco.
A proliferação de artistas musicais e o consequente acréscimo na edição de discos leva a que muitos só nos cheguem à mão bastante tempo após o seu lançamento. Esta pequena nota introdutória serve para explicar porque razão escrevo sobre o disco de estreia de Rachel Yamagata, Happenstance, cinco anos após a sua edição.
Happenstance, que sucedeu a um EP homónimo editado em 2003, é uma obra que não deixa ninguém indiferente, o talento de Rachel Yamagata como singer/songwriter é admirável, a forma como adapta o seu registo vocal, de acordo com o sentimento subjacente à canção, é tocante, a sensibilidade revelada na forma lúcida como aborda temas complexos é irrefutável e tem como consequência um disco que se entranha à primeira audição.
Se o amor e suas implicações é o tema recorrente deste disco, a contradição entre a convicção de que o amor é muitas vezes uma circunstância fruto do acaso e a crença de que tudo acontece por uma razão é a sua alma, o fio condutor, enquanto que a composição, as letras, a voz e a sua sensualidade que dela extravasa, são o corpo, o resultado é uma descrição pungente do resultado desse conflito.
São exemplo disso temas como "Be Your Love", "Worn Me Down", "Letter Read", "Collide", "Under My Skin", "1963", "Meet Me By The Water", "I’ll Find A Way" e, principalmente, "Paper Doll", nas quais a fusão de elementos clássicos e inovadores, dá lugar a canções verdadeiramente intemporais. Sem muito mais blá blá... Eis que em 2008, quatro anos separam Happenstance, o disco de estréia de Rachel Yamagata, de seu mais novo lançamento, o álbum Elephants…Teeth Sinking Into Heart. E não há como não chegar à conclusão de que o tempo fez muito bem à artista: enquanto no primeiro a garota criou algumas boas faixas com enorme potencial de hits instantâneos, mas que não conseguiam ir mais fundo do que isto, neste seu segundo álbum Rachel traz à tona canções cuja sofisticação melódica, sabe-se, foi fruto de um amadurecimento que só se atinge com tempo suficiente para refletir e polir melhor aquilo que é gestado. Sem muitas delongas, senão o post fica longo.... O disco é bom, e merece o aporte de uma gravadora como a Warner. Os vídeos que vou postar, são do primeiro disco.
Elephants…Teeth Sinking Into Heart(2008)
Happenstance (2004)
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
The Dodos - Visiter (2007)
Hoje deu vontade de escrever. Sei lá. Vontade apenas....Ah, você vai se amarrar novamente...rs rs
The Dodos veio provar que aquilo que não é hypado pode ser melhor em todos os sentidos , e que essa onda folk-wannabe já deu o que tinha que ter dado. Inicialmente conhecida por Dodo Bird , a banda lançou-se no cenário musical em 2005, quando ainda consistia apenas em um projeto solo de Meric Long. Foi neste mesmo ano que ele lançou um EP homônimo. Logo, Meric conheceu Logan Kroeber, que passaria a ser seu parceiro de The Dodos, nome que foi adotado no começo da união. Ano passado, a dupla natural de São Francisco, Califórnia, assinou contrato com a Frenchkiss Records e este ano lançou seu segundo disco, sucessor de Beware of the Maniacs que foi batizado de Visiter.
The Dodos veio provar que aquilo que não é hypado pode ser melhor em todos os sentidos , e que essa onda folk-wannabe já deu o que tinha que ter dado. Inicialmente conhecida por Dodo Bird , a banda lançou-se no cenário musical em 2005, quando ainda consistia apenas em um projeto solo de Meric Long. Foi neste mesmo ano que ele lançou um EP homônimo. Logo, Meric conheceu Logan Kroeber, que passaria a ser seu parceiro de The Dodos, nome que foi adotado no começo da união. Ano passado, a dupla natural de São Francisco, Califórnia, assinou contrato com a Frenchkiss Records e este ano lançou seu segundo disco, sucessor de Beware of the Maniacs que foi batizado de Visiter.
É, Visiter, com “e”. Gramaticalmente falando, essa palavra não existe na língua inglesa, o certo seria Visitor, com “o”. O que aconteceu foi que os Dodos resolveram fazer um micro show em uma escola, para várias crianças e elas deram à eles vários desenhos de presente. Um deles chamou a atenção deles pela grafia errada, e talvez pela ingenuidade da criança, então o nome do disco foi adotado daí. Entrevistados pela L.A. Record, eles disseram que eles usaram todos os desenhos no encarte de Visiter.
Atualmente, o termo neo-folk tem sido distorcido e muita coisa ruim provavelmente chegou aos seus ouvidos. Baixe Visiter e seja inserido neste gênero pelas seguintes razões:
As influências fortes de Elliott Smith, Nick Drake e Iron & Wine, nomes obrigatórios para o verdadeiro apreciador do folk alternativo por serem percursores do movimento, cada um em sua geração. Red and Purple, The Season, Walking e God? são as melhores músicas. Os temas aboradados pelo The Dodos em suas letras vão desde mais simples como reflexões sobre o passado à mais complexos como o questionamento da existência de Deus.
Na presença do bucolismo americano, usa-se o banjo e levadas country nas horas certas, sem exageros, e a percussão quase africana de Logan dá um diferencial enorme. Ao contrário de diversas bandas do mesmo estilo, as músicas não se tornam repetitivas, muito menos cansativas, suas letras são fáceis e bastante sing-along.
O vocal de Meric é evidentemente pop. As frases são pausadas, a dicção é clara, e consegue combinar em um estilo diferente. Em Walking, a primeira faixa, essa característica é bem evidente, aliás é lindo o modo como ela se junta com Red and Purple formando uma mistura bem homogênea das duas músicas. Elas se completam.
Espero que goste tanto quanto eu gostei.
Visiter (2007)
ou
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Stephen Fretwell – Man On the Roof (2007)
Voltando agora para as atividades normais do blog, ou seja música e algo mais (leggy). Esse inglês de 28 anos, faz um folk que lembra ao som do Bob Dylan, sua influência direta. Ele foi convidado a participar de banda de apoio de vários artistas mais renomados, como Keane, KT Tunstall e Travis, por exemplo. Mas é sua carreira solo que tem mais destaque, pelo menos eu acho ( na minha humilde opinião).
Cris, você vai se amarrar neste som.
domingo, 6 de dezembro de 2009
Hexa !!!!!!!!!!!!!
É "équissaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa".
Assinar:
Postagens (Atom)








