segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Cibelle

Quando você ouve Cibelle pela primeira vez em algum momento se pergunta: Não é a Bebel Gilberto? Fica meio intrigado até se dar conta de que realmente não é. Elas têm o timbre de voz parecido, já cantaram eletrobossa, moram fora do Brasil, foram produzidas pelo Suba, mas é só, elas não têm mais nada em comum. Em The Shine Of Dried Electric Leaves, Cibelle consegue escapar dos rótulos e comparações, e apresenta algo realmente novo numa bem elaborada fusão de estilos musicais.
Nascida em São Paulo e radicada há algum tempo em Londres, a cantora, compositora e instrumentista já está na estrada há algum tempo, e tem entre seus triunfos um disco solo anterior, a participação no épico São Paulo Confessions , do falecido produtor Suba, e de ter as músicas Só Sei Viver no Samba e Dia de Iemanjá incluídas, respectivamente, nas trilhas do filme O Jardineiro Fiel e da série A Sete Palmos (Six Feet Under). Ela também participou da gravação de Ela é Carioca , ao lado de Celso Fonseca, da novela América.
O segredo de Cibelle foi ter se cercado de um timaço de parceiros, como Apollo Nove, Arto Lindsay, Lanny Gordin e Mike Lindsay, entre outros. Para quem gosta de rótulos, classificaria The Shine Of Dried Electric Leaves como de MPB psicodélica, com direito a guitarras ardidas, climas etéreos, forte tempero de bossa nova e eletrônica aqui e ali. Tudo costurado pela belíssima e suave voz de Cibelle, com influências de Marisa Monte, Gal Costa, Sade e outras, mas esbanjando personalidade. Mesmo sendo um CD extremamente coeso e propício para ser ouvido de ponta a ponta, não resisto e cito a hipnótica Green Grass , a psicodélica e reflexiva Phoenix , o sacudido dueto com Seu Jorge em Arrête Lá Menina , a misteriosa e envolvente Mad Man Song e a releitura bossa nova de London London , de Caetano Veloso, em dueto com Arto Lindsay. Consegue imaginar ecos de Jefferson Airplane, Marisa Monte, Caetano Veloso, Tom Jobim, Sade e Beth Orton em um único trabalho sem soar um pastiche? Eis a façanha de Cibelle.


Cibelle (2003)



The Shine Of Dried Electric (2006)





Kasabian

A mistura rock-eletrônico é até comum hoje em dia, mas a banda não soa como outra qualquer. Com um baixo bem marcante eles conseguiram criar uma sonoridade própria e se destacar no cenário musical. Além da música, eles chamam a atenção da mídia britânica por outro motivo: a falta de censura na letras que saem da boca de seu vocalista. Com elas, o Kasabian já arrumou problemas com algumas celebridades, como Gerard Way vocalista da banda My Chemical Romance. A banda é maneira... curte o som abaixo. Os links estão aí pela internet (já tomei um puxão de orelha do blogge...rs rs )
Kasabian (2004)

Empire (2006)

West Ryder Pauper Lunatic Asylum (2009)


domingo, 1 de novembro de 2009

Liars - They Were Wrong, So We Drowned (2004)

Liars é um grupo americano de rock (Nova York, com origens em Los Angeles), capitaneado pelo cantor e guitarrista Angus Andrew, australiano de origem. Originalmente a banda se completava com Aaron Hemphill (guitarra, percussão e sintetizador), Pat Noecker (baixo) e Ron Albertson (bateria), formação que gravou o primeiro álbum do Liars, They Threw Us All in a Trench and Stuck a Monument on Top, em 2001. Logo em seguida Noecker e Albertson saíram do grupo e Julian Gross assumiu a bateria.
Visto de hoje, They Were Wrong, So We Drowned parece bastante coerente dentro da carreira de quatro álbuns e alguns EPs do Liars. Parece também bastante contextualizado no panorama do rock experimental americano que flerta com lo-fi, no wave e sonoridade crua. Mas o tempo prega suas peças: essa constatação é o exato oposto da recepção que o segundo disco do Liars obteve a torto e a direito. Basicamente esperava-se que o sucessor de They Threw Us All in a Trench and Stuck a Monument on Top desse umas aparadas nas esquisitices do primeiro para fazer o álbum de discopunk perfeito, ou ao menos um que fosse páreo para Echoes, do Rapture. E, bom, TWWSWD não é nada disso. Quem ouviu o disco esperando atualizações de “Mr. Your on Fire Mr.” deu com os burros n’água. Mas o disco vai mais longe: não só não existe nenhuma faixa mais palatável como o próprio som cheio do primeiro disco dá lugar a arranjos mirrados com intervenções mínimas e repetitivas de instrumentos, quase sempre um mote repetido ao infinito e quase nunca mais que dois instrumentos ao mesmo tempo, a bateria estando presente em todos eles. Surgido no primeiro disco como um grupo hypado e no centro de uma cena prolífica, TWWSWD reinventou o Liars como um grupo musicalmente ambicioso e ousado demais para pertencer ao mesmo meio que agregava bandinhas edgy mas fáceis como o Interpol. Naturalmente, o ouvinte indie genérico abandonou de cara. Simultaneamente, o admirador de rock mais viajante e experimental, fã de Boredoms, Ruins, Lightning Bolt e Tortoise, viu ali a confirmação de uma banda instigante e jamais confortável em repetir fórmulas, de peito aberto à execração pública desde que isso significasse também o abandono de todos aqueles que só estavam ali porque era modinha.





quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Um dia como outro qualquer.

Se tem uma coisa que tenho aprendido ao longo do tempo (fala "o experiente") é que tudo tem uma razão para acontecer. Talvez você não entenda agora o que te acontece. Mas daqui um tempo, você vai olhar para trás e entender o porque de ter lhe acontecido. Tem coisas que são para ser. Exemplo. Ás vezes você pode estar em um café, e chega uma pessoa e te pergunta sobre o livro que está lendo. E boom. Se casam. Aquela dúvida que você tinha antes com outras pessoas, não tem mais. E se você tivesse ido ao cinema? E se você tivesse ido em um outra cafeteria? e se você tivesse chegado 10 minutos mais tarde? E se, E se.... Era para ser. Definitivamente
A maioria dos dias do ano é comum. Ele começam e terminam, sem nenhuma memória durável neste tempo. A maioria dos dias não tem impacto no decorrer da vida. Hoje, 02 de Outubro de 2009, hoje é uma sexta feira. Por volta de 00:40h. E estou pensando em uma coisa que talvez contradiz com o que foi escrito acima, esse horário meus pensamentos não são tão claros. Sim, acabei de pensar uma coisa. É que você não pode atribuir um significado cósmico a um simples evento terreno. Coincidência. É o que tudo é. Nada mais que coincidência. O que você acha ?

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Wilco - Yankee Hotel Foxtrot

Há muito tempo atrás existiu uma banda chamada The Beatles. Em 66 eles lançaram um álbum chamado Rubber Soul. Um louco que atendia por Brian Wilson ouviu esse disco e teve certeza de que podia fazer melhor. Foi assim que nasceu Pet Sounds, um dos mais belos discos que o pop já pariu. Todos os quatro beatles ficaram de cara, principalmente Paul McCartney, que encontrou em Pet Sounds a pop perfeito, segundo ele próprio, em God Only Knows.
Os quatro carinhas de Liverpool entraram em estúdio e saíram com Revolver. Não se deram satisfeitos e foram ainda mais além, dando de presente para o mundo Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, só pra gente lembrar o quanto é possível ser genial em apenas três minutos.
Brian Wilson ouviu Sgt Peppers e enlouqueceu, literalmente. Juntou os restos dos Beach Boys e começou a trabalhar em um álbum chamado Smile, que nunca foi lançado. Até hoje, quem teve acesso as muitas versões piratas de Smile diz que o disco é tragicamente genial. Brian entrou em parafuso e só voltou da viagem no começo dos anos noventa. Enquanto isso, os Beatles gostaram de provar que eram gênios e lançaram mais duas obras-primas: o White Album e Abbey Road.
Tudo isso pra dizer que grandes discos não trazem apenas grandes músicas. Eles geram grandes filhos. Yankee Hotel Foxtrot, do Wilco, ultrapassa todos os limites que um dia eu imaginei que o pop possuísse. Não se trata apenas de uma coleção de musiquinhas simpáticas e bonitinhas. YHF é o desabafo de uma geração, a prova de que não apenas se ouve música com o coração: se faz também.
Não sei ao certo ainda o impacto destas três letras sobre a minha vida. Os filhos que YHF gerou no meu cotidiano ainda dão frutos. Foi através do choque que o primeiro contato com Jesus etc causou na minha cabeça que eu descobri um monte de outras coisas. Blues Traveler com Hook e Regarding Steven talvez sejam os maiores exemplos deste estrago. Mas a estrada é longa. Jack Johnson, John Mayer, Coldplay, Ben Kweller, Elliot Smith, Grandaddy, Ryan Adams: não teria capacidade de entender nada disso se YHF não tivesse aberto um buraco ligando a minha cabeça ao meu coração.
Provavelmente ainda vou escrever muito sobre isso. Talvez textos melhores, em que eu consiga colocar em palavras o que é impossível de descrever. Mas, por enquanto, fico por aqui, com a certeza absoluta de que os ecos de Jesus etc e How To Fight Lonelliness ainda não fizeram todo o barulho que podem fazer.



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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Arcade Fire

O Arcade Fire foi formado em 2003 na cidade de Montreal, Quebec, no Canadá, pelo casal Win Butler e Régine Chassagne. A sua formação também conta com Richard Reed Parry, Tim Kingsbury, Sarah Neufeld, William Butler e Jeremy Gara. Com o lançamento do primeiro álbum, "Funeral", em 2004, pelo selo Merge Records, o Arcade Fire virou um fenômeno no cenário indie rock. Não somente devido aos elogios que o disco recebeu, mas, muito mais pelas fantásticas apresentações ao vivo. Além do básico bateria, guitarra e baixo, o Arcade Fire utiliza diversos instrumentos musicais, como xilofone, teclado, acordeão, violoncelo, violino, viola, teclado, harpa, etc. Em 2007, a banda lançou outro celebrado álbum, "Neon Bible".

Funeral (2004)

Neon Bible (2007)

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