domingo, 13 de setembro de 2009

The Thrills - So Much for the City (2003)


Alguns fatos são estranhos. Às vezes algumas verdades parecem mentiras. Eis um exemplo recente: a banda The Thrills vem da Irlanda. Com um som tão intimamente americano, parece difícil de entender... Mas não é tanto assim, se olharmos direito para a música pop irlandesa. Porque se por um lado já ganharam fama vindos de lá artistas que investiam seriamente nas raízes sonoras locais ou erguiam bandeiras brancas para os conflitos, por outro existem nessa história dois nomes essenciais: Van Morrison e The Commitments. Na vida real ou na ficção, afinal, irlandeses sempre ouviram e reproduziram muita música americana, mesmo que na hora de cantar o sotaque soe meio esquisito.
No caso do The Thrills, o sotaque é de Dublin, terra de Oscar Wilde e U2. Mas o primeiro álbum desse quinteto não é. "So Much For The City", lançado no finalzinho de junho na Europa, é californiano de corpo, alma e coração. Ele foi gravado quase todo em Los Angeles e demonstra isso em cada nota. De Beach Boys a Grandaddy e passando por Byrds, as comparações mais certas são todas vindas da costa leste dos Estados Unidos.
Influenciado pelo pop mais clássico possível, o resultado foi o mais agradável que se pode conceber. Melodias gostosas, voz macia, muito piano, guitarras acústicas, banjo, gaita. Tudo muito pra cima, música de verão sem problemas e sem culpa. Simples assim. Mas é tão bacana que, o que poderia ser a receita de algo medíocre, rendeu um ótimo disco.
Bom o suficiente para ligar o Thrills a uma banda do tamanho do R.E.M.. Afinal essa tinha sido, quem sabe só até agora, a última banda pop a fazer um belo sucesso comercial com músicas tão cheias de referências a uma sonoridade tradicional norte-americana. Mas não se pode, por isso, dizer que esses irlandeses façam alt-country – apesar de eventualmente já terem sido definidos assim. Eles são alegres e desencanados demais para seguirem de verdade essa estrada.

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The Klaxons - Myths of the Near Future (2007)

A rigor, não existe essa tal de new-rave. Um dos vocalistas do trio londrino Klaxons, Jamie Reynolds, inventou o rótulo numa festa em um club – é possível imagina-lo, bêbado e louco de ecstasy, botando pra fora aquela arrogância juvenil inglesa: "nós somos new-rave!". Hoje, ele nega a criação do rótulo, justamente no momento em que a mídia toda o incorporou ao fantástico mundo do hype (especialmente graças à publicações musicais inglesas como NME e bíblias fashionistas como i-D).
Na linha de frente desse novo exército flúor de sirenes e buzinas, o Klaxons quer remixar não as raves de psy-trance ou qualquer ritmo que tenha ganho popularidade na segunda metade dos anos 90, mas sim o luminoso período em que tanto bandas de rock (Stone Roses, Happy Mondays, etc) quanto DJs/produtores (The Shamen, Paul Oakenfold, Prodigy, Altern-8) dividiram o mesmo comprimido: entre 1988 e 1993. O Klaxons quer representar – e em dados momentos consegue – o desenrolar dessa mítica linhagem pop de praias, drogas e novo-hedonismo.
Embalado a euforia e um sentimento honesto de diversão, Myths of the Near Future ( redesenha os clichês propalados desde os anos 60 num próprio e estranho estilo de música – que você pode chamar de new-rave. A abertura, com "Two receivers", chega climática, tem tudo para ser uma das melhores introduções de disco de 2007. Não é house, não é rock: é britpop sobre batidas eletrônicas e reparos roqueiros. Nessa música, assim como no disco quase inteiro, há sempre os jogos de coros de voz, como se fossem garotos de coral vocalizando de um espaço mitológico, pixelado e operado por joystick.
"Atlantis to Interzone" ganhou uma produção melhor que a do single. Continua berrando suas sirenes paranóicas e linhas de baixo exalando tensão, mas com uma execução mais calibrada. "Golden Skans", atual single do grupo pinçado das primeiras sessões com o produtor James Ford (Simian Mobile Disco), é uma balada doce, num formato pop inegavelmente eficiente. Também já lançadas em singles, "Totem on the Timeline" e "Gravity's Rainbow" trazem um pouco daquela que era a idéia de Reynolds: fazer "dance music" com instrumentos. A primeira, toda orgânica, intercala refrãos e uma linha de baixo sujona; a segunda parece partir desse mesmo baixo para criar um ritmo que vacila como o trincar de dentes de um cocainômano. Mas há, no refrão e nos efeitos, uma paz sintética.
Sem jamais ir fundo na eletrônica mais ortodoxa, os Klaxons entregam a inédita "Forgotten Works", que se alimenta de uma escaleta para enfeitar o cordão hipnótico da canção, flana numa vibração única, quebrada apenas nos refrões. O rockzinho "As Above, So Below" só poderia ser feito por um roqueiro descontente. Depois de uma seqüência de sons que gravitam na vontade de se fazer dance, um paredão de guitarras irrompe, espanta, e tudo volta colorido e extravagante. "Isle of Her" é conduzia por um escoamento robótico e paranóico. Cantada em coro, fica a impressão de estarem sobre uma esteira elétrica, sendo encaminhados a algum tipo de experimento.
E Myths of the Near Future é o próprio experimento. Ainda que todas as canções possam, umas em maior grau, outras em menor grau, ser associadas ao período clássico das raves, os Klaxons criaram muito mais um rock de rua, streetware. E há quanto tempo você não ouvia um rock com cheiro de rua?
Hype por hype, a cultura pop é feita de promoções desde que Elvis rebolou as ancas. Myths of the Near Future é a fotografia marco zero desse momento e ninguém disse que ele será eterno.

Joanna Newson

Quando pensamos que já ouvimos tudo, aparece sempre alguém capaz de nos surpreender e arrebatar. Não é facil qualificar a música de Joanna Newson, com o seu timbre peculiar e a sua arpa disfarçada de guitarra. Há quem arrisque chamar-lhe "os novos caminhos da Folk".
Alguns grupos ou músicos não estão ainda cadastrados no banco de dados da rádio, sendo assim postarei um vídeo para conhecerem o trabalho antes de fazer download.






The Milk-Eyed Mender (2004)

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Ys (2006)

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Lambchop - Nixon (2000)

Em Nashville, capital mundial do country, os amigos de infância Kurt Wagner (vocais), Jim Watkins (guitarra) e Marc Trovillion (baixo) se juntaram para tocar sob o nome de Posterchild, gravando uma série de músicas dentro dos quartos de Wagner e Trovillion. Enquanto lançavam cassetes caseiros de nomes esquisitos (como Secret Secret Sourpuss e I’m Fucking Up Your Daughter), viam entrar gradativamente muitos novos músicos (entre eles, o clarinetista Jonathan Marx e a steel guitar de Paul Niehaus e o multi-instrumentista Scott Chase) e aumentar a demanda de shows na região de Nashville. No final de 1992, trocaram o nome (Lambchop foi a escolha, entre opções como Pinnacles Of Cream, REN e Turd Goes Back) e assinaram contrato para um single pela recém-criada iniciativa independente Merge, de propriedade de dois integrantes do grupo Superchunk. Desde então, o selo cresceu, assim como vieram os primeiros álbuns e outros lançamentos em formatos alternativos. Enquanto o mercado mainstream passou a namorar o hip hop, o r&b e as cantoras pop, o combo construiu uma sólida imagem cult, passando a ser venerada pelo público que ignora as paradas em favor dos bons sons. Tudo com uma estilosa mistura de jazz, rock, pop, country e soul, de letras refinadas. O ponto alto da carreira do Lambchop ocorreu na virada da década. O álbum Nixon – o quinto da carreira – recebeu elogios de quase todas as publicações especialidades (fossem elas mainstream ou underground) e até chegou a integrar as listas dos melhores lançamentos de 2000. No ano seguinte, respaldado pelo sucesso, o grupo reuniu diversas raridades (remixes, gravações ao vivo, faixas exclusivas de singles e EPs mais gravações toscas dos tempos de Posterchild) na coletânea Tools In The Dryer. Em 2002, Wagner voltou a emocionar com várias letras confessionais (alusões à morte, romances turbulentos, solidão) do novo disco de inéditas, Is A Woman. Aproveitando a vinda ao Tim Festival do numeroso grupo (que já chegou a ter até 14 integrantes em cima do palco), a gravadora Trama, detentora dos direitos da Merge no Brasil, colocou no mercado o celebradíssimo Nixon. Como Tools In The Dryer e Is A Woman já estavam disponíveis em edição nacional há alguns meses, eis uma geral destes três últimos álbuns do Lambchop. Nixon (2000)O encarte traz a sugestão de leitura de quatro livros relacionados ao escândalo Watergate. O nome do álbum aparece grafado em letras garrafais na capa. O disco tem Richard Nixon – presidente americano que, por estar envolvido em um grande esquema de corrupção, acabou renunciando ao cargo nos anos 70 – como inspiração máxima, embora nenhum verso faça referência direta a ele. Entre as dez faixas, aquela mistura jazz-soul-country-rock característica do Lambchop, com direito ainda a acordes diminutos e acompanhamento da Orquestra de Cordas de Nashville. Os arranjos refinados, repletos de violinos, violoncelos e vibrafones acentuam o direcionamento Philadelphia soul de faixas como “You Masculine You”, “What Else Could It Be? (em ambas Wagner surpreende ao soltar falsetes estridentes), “Nashville Parent” e “Grumpus”. O vocalista ainda arrisca uma “parceria” com o soulman Curtis Mayfield em “The Book I Haven’t Read”. O álbum se encerra um arrepiante conto de terror (“The Butcher Boy”) transformado em três contagiantes minutos de explosiva combustão soul-rock, com naipe de metais duelando com guitarras dedilhadas e tambores frenéticos.





Férias

Calma aí galera....

Volto para casa hoje a noite e vou postar algo.... eu precisava de uns dias para me desligar da loucura....

Abraços

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A Pessoa Certa

Kells,
Pensando bem, em tudo o que a gente vê, vivencia, ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente. Existe uma pessoa que, se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada. Porque a pessoa certa faz tudo certinho. Chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas; mas nem sempre a gente está precisando das coisas certas. Aí é a hora de procurar a pessoa errada. A pessoa errada te faz perder a cabeça, fazer loucuras, perder à hora, morrer de amor. A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar, que é pra na hora que vocês se encontrarem a entrega ser muito mais verdadeira. A pessoa errada é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa. Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai enxugar suas lágrimas. Essa pessoa vai tirar seu sono, mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível.Essa pessoa talvez te magoe e depois te enche de mimos pedindo seu perdão. Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado. Mas vai estar 100% da vida dela esperando você. Vai estar o tempo todo pensando em você. A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo. Porque a vida não é certa, nada aqui é certo. O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo, amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo, conseguindo. E só assim é possível chegar àquele momento do dia, em que a gente diz: "Graças a Deus deu tudo certo", quando na verdade, tudo o que Ele quer é que a gente encontre a pessoa errada.